Ônibus itinerante lega aulas de computação para jovens de regiões remotas da Índia

A Índia é verdadeiramente um país de grandes contrastes. Um pouco menos da metade de sua população é analfabeta e ainda assim o país é considerado um dos maiores produtores de software do mundo, disputando mercado com grandes potencias como os Estados Unidos, Japão e Coréia. 

Vilas-indian.jpg Alfabetizar a população é um grande desafio do país, assim como democratizar para todos os letrados o acesso às tecnologias digitais que produzem. No país apenas 25% da população tem acesso a computadores e boa parte da maioria restante nunca viu um micro antes. 

 

Mas foi aqui na Índia que uma Ong chamada Shramdeep criou um projeto que tem levado educação, informática e esperança para jovens pobres do interior,das regiões que cercam a cidade de Nagpur, no centro norte no país.  

A combinação parece não fazer sentido, mas na prática a formula é perfeita. Um ônibus, um motorista, alunos, professor e computadores. Isso mesmo, computadores. É assim que funciona a Unidade Móvel de Educação Digital, que leva cursos de informática para jovens de vilas e povoados indianos em regiões remotas do país, onde não existem em muitos casos energia elétrica e saneamento básico adequado. 

Sala-de-aula.jpg O ônibus é uma verdadeira sala de aula equipada com 8 computadores que foram instalados pensando na dificuldade de locomoção e na precariedade das estradas das regiões de interior, e potentes baterias para suportar as viagens e o uso dos micros, que foram adaptadas no porta-malas do veículo. 

Como funciona
Todos os dias o ônibus parte de uma das vilas às 8 da manhã e percorre cerca de 100 km, visitando outras 10 vilas e quando chega à noite, ele pára para recarregar as baterias para a jornada do dia seguinte.
 

Onibus-saind.jpg Durante três meses seguidos a unidade móvel faz o mesmo itinerário diariamente pelas mesmas 10 vilas e 80 jovens neste período recebem aulas de digitação, word, excel e noções de internet, que aprendem somente na teoria porque na prática não existem nem telefones nas regiões para conexões. 

Um projeto de sucesso para inclusão digital
Quando o ônibus chega na vila os alunos já estão ansiosamente esperando e durante uma hora aprendem atentamente a mexer nos micros. São meninos e meninas com idades entre 16 e 25 anos, filhos de pais analfabetos que são agricultores na região e possuem renda inferior a U$1 por dia.
 

Alunos-indo-.jpg Esses jovens têm a possibilidade de freqüentar escolas do governo na região, mas o nível de evasão e desinteresse era muito alto. "A maioria deles, não encontrando razão nas escolas, largava os estudos para ajudar as famílias nas atividades agrícolas, e com as aulas de computação estes jovens encontraram um motivo a mais para perseguir com a escola", disse Nichant, o professor de computação do ônibus. 

E assim, esses jovens estão acreditando que um futuro melhor é possível para suas vidas e descobrem no curso a esperança de ter uma profissão. 

Um idealizador
Há três anos o engenheiro eletrônico Sunil Jonathan em visita a algumas vilas de interior do país notou que a maioria dos jovens da região nunca tinha visto computadores antes e que alguns meninos, únicos que tinham um pouco de conhecimento em informática, tinham mais prestígio do que os outros na comunidade.
 

Alice,-Renat.jpg Então ele começou a pensar no que poderia fazer para levar cursos de informática para aqueles jovens, principalmente para as meninas e mulheres do interior. O desafio parecia muito grande e caro quando ele pensava em montar salas com computadores nas diversas vilas necessitadas e por isso ele foi buscar alternativas mais viáveis e rentáveis e foi quando lhe surgiu a idéia da unidade móvel. 


Mas a idéia no começo não parecia tecnicamente fazer sentido. "Como um ônibus vai suportar a energia dos computadores? Os micros não vão agüentar as estradas precárias da região e vão quebrar? Como farei com a eletricidade? Tudo isso precisava ser pensado minuciosamente", disse Sunil. 

VIDEO: Depoimento do Sunil - em inglês ( Sunil.mpg ) 


O-onibus-foi.jpg Mas o desafio foi aos poucos se transformando em realidade e dois anos de estudo foram precisos até que a unidade efetivamente começasse a funcionar. Muitos testes e experiências técnicas foram realizadas, profissionais de diversas áreas foram requisitados para prestar sua consultoria e por fim os fundos foram captados para a realização do Projeto, que custou por fim U$ 50 mil. 

Hoje a fórmula está finalizada, testada e pronta para ser reaplicada. Há seis meses percorrendo mais de 20 vilas diferentes, a Unidade Móvel de Educação Digital já formou cerca de 90 jovens e 20% deles já arrumaram emprego com informática. 

Para mais informações sobre este projeto, consulte o link de Projeto Sociais.
 




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