Taj Mahal: símbolo do amor, perfeição arquitetônica e da discriminação.

O monumento símbolo do amor
No ano de 1629 morre a esposa mais adorada de Shah Jahan, um dos maiores imperadores mongóis da história da Índia. Após ter dado a ele 17 anos de vida conjunta e 14 filhos sadios, Mumtaz Mahal faleceu no parto do seu 14º filho. Diz à lenda que a tristeza do poderoso imperador foi tamanha que seus cabelos negros amanheceram alvos no dia seguinte à morte da esposa.
 

Mumtaz foi talvez a mulher que recebeu o mais suntuoso amor já existente, tão suntuoso que uma simples tumba não poderia honrar o que a amada deu em vida à Shah. Seus restos mortais deveriam descansar dentro de uma das mais perfeitas obras de arte do planeta, para que fizesse jus ao tamanho de sua adoração. Foi então que i imperador Shah mandou construir o monumento que se transformou em uma das sete maravilhas do mundo, originou novos gêneros artísticos e é hoje o maior símbolo de amor e perfeição da história das civilizações: o TAJ MAHAL . 

Tendo sua construção iniciada em 1631, 22 anos depois ainda não havia sido concluída. No total 20 mil funcionários trabalharam dia e noite assim como arquitetos franceses, italianos e iranianos que foram recrutados para a construção minuciosa da beldade.  

Segundo a lenda, quando terminada a obra, Shah iniciaria outra construção idêntica, mas em mármore preto que seria o seu próprio mausoléu, uma imagem oposta ao branco esplendoroso do Taj Mahal. Mas antes disso o imperador foi deposto por seu filho e passou o resto da vida aprisionado no forte de Agra olhando para o lugar onde repousava majestosamente sua amada do outro lado do rio. 

Taj-Mahal.jpg Nossa visita
Em um domingo de descanso em Delhi (19/10) resolvemos pegar um transporte e ir até Agra, cidade 200km distante da capital para ver o Taj Mahal. Após uma apertada e desconfortável viagem de 4 horas em uma mini-vã maltrapilha finalmente chegamos quebradas, mas entusiasmadas com o passeio e com o que iríamos ver.
 

Visitada por milhares de turistas, a poluída e pobre cidade de Agra é parada certa dos viajantes que vêm para a Índia por qualquer motivo. Os mercados e lojas de souvenires são numerosos e não conseguimos caminhar um segundo sequer sem sermos abordadas por insistentes vendedores nas ruas. 

Chegamos a um dos três portões de entrada do Taj onde deveríamos comprar os ingressos para entrar nos jardins, empurradas por centenas de turistas (a grande maioria indianos) e poder ficar de frente com o que mais parecia uma miragem, ou seria um sonho? 

No entanto, de um súbito, toda alegria de estar ali e de poder finalmente realizar esse sonho desmoronou ao nos depararmos com a mais declarada e absurda discriminação ao turista.  

Precos-das-e.jpg Uma prova de desrespeito ao turismo
A entrada para os indianos custa 20 Rúpias o que equivale à R$ 1,50 e para qualquer estrangeiro a entrada custa o absurdo de 750 Rúpias, equivalentes a R$ 45, simplesmente 37 vezes mais que o ingresso para um indiano!!!
Vídeo: Indignação ( Indignação.MPG )
 

 

Esse fato nos chocou profundamente. O símbolo do amor e da perfeição arquitetônica se transformou em um dos maiores símbolos de discriminação declarada.
 

Alegar que os indianos contribuem com o pagamento de impostos e que isso lhes dá o natural direito de pagar um justo preço por visitas a monumentos históricos do país é perfeitamente aceitável, mas nada justifica cobranças abusivas e desonestas para estrangeiros. 

Cobrar um preço 37 vezes mais alto que o pago por um nacional pode ser caracterizado como discriminação. Baseada em que justificativas esse preço é tão alto? O que faz um governo decidir que os estrangeiros em viagem à Índia possuem mais renda do que um nacional?  

Atos como este despertam no turista a sensação de deslocamento e diferença imediata, pois é a sentença condenatória de que não são vistos como um ser humano qualquer, mas como uma nota de U$100 ambulante. Indignação e incredulidade foi o que sentimos frente ao fato. 

Nossa vista .jpg Deixamos aqui nosso grito de protesto e pena, pois não conseguimos compartilhar desse abuso e voltamos para casa apenas com a imagem lateral do monumento, conseguida através de um atalho que nos deu a oportunidade de estar ao menos próximas de tamanha beleza.

 




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