Maior programa social contra a pobreza do mundo: o Micro gerando o Macro.

Todos nós já ouvimos falar de microcrédito, como ele funciona e como o BNDES junto com o Governo Brasileiro e outras ONGs o estão utilizando, mesmo sendo pouco difundido em nosso país.  

Dakha-vista-.jpg Enquanto nós pouco sabemos desse artifício, basta passar um dia em Dakha, a capital de Bangladesh, para ouvirmos essa palavra diversas vezes no mesmo dia. 

Esse país conhecido no mundo por sua pobreza e péssimo Índice de Desenvolvimento Humano, altíssima densidade demográfica e ciclones arrasadores que chegam a matar 200 mil pessoas em um só dia, possui um lado também bastante conhecido que tem melhorado a realidade do dobro da quantidade de pessoas que suas catástrofes vitimam. 

O LADO BOM TEM NOME
Muitos intitularam esse lado de Muhammed Yunus ou Grameen Bank. O Rei do Microcrédito e seu Império.
 

Um Professor de economia da Universidade de Chittakong - a segunda maior cidade de Bangladesh - que revolucionou a noção de microcrédito e a institucionalizou em todo o país formando uma sociedade que muitas vezes o vê como única saída para sua situação de miséria. 

Ao caminhar por uma rua pobre da cidade, o Professor Yunus parou para conversar com uma senhora que fazia artesanato e a perguntou porque não conseguia aumentar sua produção. A resposta incitou uma série de questionamentos. - "Tentei pegar um empréstimo no banco da cidade, mas me recusaram, pois eu não possuo documentos que provem minha renda", disse a senhora. A primeira questão surgiu: "Por que não emprestar para essa senhora?" 

Logo então, em 1976 iniciou um projeto de pesquisa na Universidade para examinar a possibilidade de criar um sistema de pronta-entrega de crédito para os pobres. Essa pesquisa gerou o projeto de um banco que seria designado para fazer o que os bancos comuns não fazem. Surgiu então a idéia do Grameen Bank que em 1983 saiu do papel e se tornou uma instituição verdadeira. 

Propondo transpor o círculo vicioso da "baixa renda, pouca poupança, pouco investimento" o Grameen Bank o transformou em "baixa renda, injeção de crédito, investimento, mais renda, mais poupança, mais investimento, mais renda, etc." 

Formou-se um sistema bancário baseado na confiança mútua, credibilidade, participação e criatividade, promovendo crédito para os mais pobres sem efeitos colaterais. O Grameen Bank foi criado para atender aquelas pessoas que os bancos comuns rejeitam, dando-lhes crédito e direcionamento, incentivando os pequenos empreendimentos e gerando uma conotação totalmente social para uma instituição que geralmente nos remete unicamente ao comercial.  

BRASIL QUER APRENDER
Após anos de institucionalização, o Grameen percorreu um longo caminho de aprendizados e maturação, e hoje é reconhecido como a mais experiente e fortalecida organização de microcrédito no mundo.
 

Não é à toa que recebe missões de todo o mundo para conhecer seu trabalho. Em 2001 uma comitiva liderada por nosso atual Ministro da Educação, Cristovão Buarque, esteve presente ao Grameen Bank com o intuito de "aprender com a experiência do Banco e levar para o Brasil algum aprendizado para fazer algo semelhante ao que está sendo feito aqui" (palavras do Ministro em uma das perguntas dirigidas ao Professor Yunus). 

Atualmente o Grameen possui mais de dois milhões de associados (correntistas), sendo 95% deles mulheres (consideradas pela experiência os associados mais confiáveis), 1.175 agencias espalhadas por 41 mil vilas cobrindo mais de 60% de todas as vilas do país. Somando tudo isso, o Grameen Bank contribui sozinho com 1.5% para o Produto Interno Bruto do país!  

Foi considerado por especialistas como o maior programa contra a pobreza do mundo. 

ESTÍMULO PARA OUTRAS INCIATIVAS
Possuindo um exemplo como esse em seu território, milhares de organizações passaram a atuar com o microcrédito no país e é difícil encontrarmos um projeto social que não o tenha aliado às suas atividades.
 

Ainda mais impossível é caminhar por Dakha sem reparar nos outdoors do Grameen Bank, e sua agencia de telefonia celular, espalhados por toda a cidade, (novo empreendimento do banco que possui a maior empresa de celulares do país e promove acesso ao crédito para a compra de seus telefones) assim como os do Brac, a segunda maior instituição de microcrédito do país que diferente do Grameen, é uma ONG.  


REALICE VISITAM INSTITUIÇÃO DE MICROCRÉDITO 

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trabalho-na-.jpg Visitamos em Dakha a jovem organização CKK que lida com capacitação e estímulos a novos empreendimentos e pudemos ver na prática como funciona um sistema simples de microcrédito que é o mesmo utilizado em diversos cantos não só do país como do mundo e comparado às nossas cooperativas.  

 

grupo-capaci.jpg Possuem algumas nuances diferenciadas em relação aos juros e ao modo de pagamento que poderiam ser utilizadas por nossas instituições e vimos na prática como um simples empréstimo pode mudar a vida de uma pessoa. 

 

mercado.jpg Principalmente em Bangladesh que por causa do fator desvalorização econômica, com a humilde quantia de R$100 pode-se montar uma pequena confecção ou uma pequena loja em algum mercado da cidade. (vejam o relatório da visita em breve no site) 

 

BANGLADESH ENSINANDO-NOS A CRESCER
Não podemos negar que nosso país teve um avanço significativo nas operações de microfinanças nos últimos anos. Segundo o IBAM (Instituto Brasileiro de Administração) o número de operações de microcrédito no país saltou de 29 mil em 1997 para 257 mil em 1999. Programas fomentados pelo BNDES como o Crédito Produtivo do Ministério do Trabalho, que desde 1996 até 2002 contabilizou mais de 300 mil operações de crédito, e ONGs como o Banco da Mulher e o Banco do Povo Paulista vêm contribuindo para essa tendência.
 

No entanto, Bangladesh é a prova de que nosso sistema pode e deve ser implementado através do incremento de processos simples como divulgação, distribuição de iniciativas e a institucionalização mais numerosa das microfinanças em nossas organizações. 

NOTÁVEIS EMPREENDEDORES
Pesquisa realizada pela Universidade de Boston (EUA) constatou que o brasileiro é o povo mais empreendedor do mundo dentre os 21 países analisados. Um em cada oito brasileiros tem o seu próprio negócio. Entre os americanos, a relação é de um para 10.
 

Por esse e por outros motivos terminamos nossa analise com as palavras do Professor Yunus e com a certeza de que pobreza não é sinônimo de isenção de iniciativas ou criatividade, mas falta de oportunidade.  

"Precisamos construir e criar instituições para ajudar os empreendedores, porque são eles que fazem as coisas acontecerem... cremos que o crédito deve ser aceito como um dos itens dos direitos humanos, pois tudo o que precisa ser feito necessita de dinheiro."
Pro. Muhammed Yunus em palestra dia 10/06/2001
 




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